VIII. Sujeito estranho
quarta-feira, 13 de abril de 2005Hoje estava esperando o ?nibus quando vi um homem se aproximando. Ele estava mal vestido, parecia apreensivo, ficava se ajeitando todo - principalmente a cal?a - e vinha em minha dire??o. Conclu? que era um assaltante e fingi ignorar sua chegada. N?o deu certo.
- Boa tarde, amigo.
- Opa.
- Eu gostaria de saber a sua opini?o. “Que ladr?o educado”, pensei.
- Sobre?
- Voc? acha que a minha cal?a est? pescando?
Incr?dulo, olhei para a barra da cal?a e depois pra ele. Olhei de novo para a barra da cal?a e de volta para ele. Ent?o olhei mais uma vez e fiquei.
- Digo, a bainha, voc? sabe… ela est? curta?
- Olha, sei l?. Faz o seguinte: Vai andando, naturalmente, at? aquela banca de jornais ali, que eu vejo pra voc?.
- Ah, obrigado.
O cara foi. “Assim est? bom?”, perguntou.
- Agora est? muito longe. Vem at? esse poste aqui, que d? pra ver melhor.
O cara veio.
- E agora?
- Hmmm. Olha, faz o 4 a?.
- Ficar de quatro?
- N?o, FAZER o 4. Assim, ? - Demonstrei a posi??o ao homem. - Agora fa?a voc?.
- Meu amigo, que brincadeira ? essa?
- Amigo digo eu! Voc? quer ou n?o quer saber se a sua cal?a est? pescando?!
- Eu quero, mas…
- Ent?o faz logo a droga do 4! - Ordenei a ele. Depois comentei com uma senhora que observava a cena: “? cada um que me aparece…”
Quando olhei de volta, o homem j? n?o estava mais l?. S? consegui v?-lo subindo, ?s pressas, no ?nibus que partia. A barra da cal?a ia no meio da canela. Sujeito estranho.
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