¿dequejeito?

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

– Aeromoça. Você pode me conseguir uma aspirina?
– É claro, senhor. Um minuto.

Lá foi a aeromoça e em poucos segundos retornou com um copo com água, um guardanapo sedoso e uma aspirina. Vítor colocou a aspirina na ponta da lingua e deu um grande gole no copo de água. Depois dobrou o guardanapo e lustrou sua boca.

– Muito obrigado. Já estava passando mal com essa turbulência.
– São cinco reais, senhor.
– Como?
– Cinco reais, senhor.
– Eu tenho que pagar pela aspirina?
– Na verdade não…
– Ah bom!
– Não só pela aspirina, mas também pela água e o guardanapo.
– Hein?
– São cinco reais, senhor.

Não acreditando naquilo, mas sem tempo para discussões, Vitor pega sua carteira no bolso e decide pagar logo por aquilo que consumiu, afinal o avião estava balançando muito e ele não tinha tempo de pensar em discutir com a aeromoça mercenária.

– Não acredito.
– O que foi, senhor?
– Roubaram todo meu dinheiro.
– Sei.
– É verdade. Alguém roubou meu dinheiro.
– (…)
– É. Tava aqui. mas não tá mais.
– (…)
– Vocês aceitam cartão de crédito?
– Master?
– Visa.
– Não, senhor.
– Então não poderei pagar.
– Desculpe, senhor. Vou chamar o Comandante.

Ainda sem acreditar no que estava acontecendo, Vitor não sabia mais no que se concentrar. Ou pensava no avião que cada vez sacudia mais, ou pensava no misterioso roubo de todo seu dinheiro, ou na cena em que estava metido, tendo que pagar por uma aspirina, um copo de água e um guardanapo.

– Senhor, a aeromoça me disse que o senhor não quer pagar pelo que consumiu.
– Mas..
– Ou o senhor paga ou teremos que pensar em outro jeito para regularizar sua dívida conosco.
– Mas..
– Quem sabe as louças? - diz a aeromoça, com um sorriso sarcástico no rosto.
– Que louças?
– Sim, as louças. - Completa o Comandante. - O senhor pode, por gentileza, nos acompanhar?

Ainda não acreditando, Vitor acompanha a aeromoça e o Comandante até a cozinha que funcionava dentro da aeronave. Onde uma pilha de louças sujas esperava por alguém que as limpasse.

– Eu vou ter que lavar a louça suja?
– É claro, meu Senhor.
– Só porque eu tomei uma aspirina?
– Onde o Senhor pensa que está?
– Num avião, oras.
– Então. Não somos um buteco qualquer onde o senhor pode pendurar sua conta e voltar no outro dia para pagar. Somos uma empresa séria.

E lá se foi o Comandante, rumo a cabine do avião, sem nem esperar outra resposta do passageiro folgado. A aeromoça ficou ali parada conferindo com olhar taxativo o trabalho de Vítor, que já arregaçava suas mangas e preparava a esponja com detergente para dar início a limpeza dos pratos.

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Este é o blog de Gabriel Von Doscht, um rico empresário que largou tudo que tinha para se dedicar ao seu verdadeiro dom: os fantoches.

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