Um corte muito louco
sexta-feira, 5 de novembro de 2004Então hoje eu acordei e fiquei revirando na cama e pensando nas inumeras tarefas que tinha para o período da manhã: Nenhuma. Então levantei, me lavei e saí pra rua andar por aí, sem destino fixo.
Como sempre, usei os vidros dos carros estacionados para conferir meu visual no reflexo. Ao parar no vidro de um desses carros grandes (não entendo nada de carros) notei que meu cabelo estava demasiadamente longo. Era chegada a hora do corte.
Fui até aquela salinha mofada com samambaias mortas penduradas que alguns chamam de Pedro’s Cabeleireiro.
– Pedro amigo.
– Opa. Como está, Rafael?
– É Gabriel
– Ah sim. Como está?
– Tudo nas paz. Rola um corte capilar agora?
– Claro, Rafael. Senta aí. Como você vai querer?
– Tira uns dois dedos de tudo.
Devo relembrar que Pedro é um cortador de cabelo heterossexual, então as vezes tenho dificuldade de explicar o jeito do corte para ele, já que seu cérebro não consegue processar corretamente comandos gays tipo “Desbasta atrás” ou “Deixa curto Bjork style” ou “Rega as plantas antes que elas morram“.
Pois recordei vocês para este fato, porém esqueci de lembrar disso no momento que pedi “Tira dois dedos de tudo“.
Esqueci que “Tirar dois dedos de tudo” é bastante normal para a maioria dos cabeleireiros viadinhos que tem por aí. Mas para Pedro, O Barbeiro hetero “tirar dois dedos” significa praticamente raspar o cabelo com máquina zero, já que os dedos dele são dedos de pedreiro. Dois dedos do Pedro são facilmente comprados com 7cm de uma régua escolar.
– Peraê, Pedro. Não é pra raspar
– Ah, pensei que você tivesse pedido.
– Não.. na verdade eu quero que você corte as pontas.
– Cortar quanto?
– Hum… Mais ou menos o tamanho da metade do teu dedo anelar.
– Qual é o dedo anelar?
Como seria bom se ele fosse gay.
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