Fun House, uma balada muito louca
segunda-feira, 19 de julho de 2004Sexta-feira fui, acompanhado de Rafael e Thiago Capanema, na maior concentração de indies fedorentos de São Paulo: a Fun House. Logo que cheguei, sentei no sofá e tentei tirar um sono legal, já que ficar ouvindo música alternativa e vendo gente de penteado estranho já meio comum na minha casa. Basta ligar o som e me olhar no espelho.
Então como a Fun House não tinha nenhum diferencial a oferecer na minha vida, resolvi dormir.
Dormi durante umas 4 horas e acordei com chutes no ombro.
Lentamente abri o olho e avistei, de cabeça para baixo, a figura de uma garota: saia, franja, botas, meias rasgadas e bottons, muitos bottons.
– Me beija! Me beija!
– Oi?
– Me beija! Me beija!
– Desculpa. É comigo?
– Me beija, caralho!
Ainda não tinha assimilado a idéia de ser tão foda a ponto de atrair uma mina rocker, numa festa indie, somente com minha sensualidade ao dormir, as 5 horas da madrugada. Por isso não levei muita fé no negócio. Como esse povo da Fun House não respeita muito as pessoas casadas, eu resolvi não contar que eu já sou comprometido. No lugar disso disparei a minha resposta padrão para meninas rockers que se sentem atraidas pelo meu charme ao dormir e querem me agarrar em festas indies.
– Me beija! Me beija!
– Desculpa, moça. Mas eu sou viado.
– Ebaaaaa! Então você é mesmo o moskito.
– Oi?
– Moskitooooooooooo!
Fui puxado pelo braço e levado ao mais sujos cantos daquela casa noturna. A moça rocker conhecia desde o segurança até o técnico de som, passando pelo cara que preparava os drinks no bar. Ela me apresentou a todos como “o novo messias” e todos me adoraram. Eu estava bebendo as mais variadas e alternativas bebidas de graça e em certo momento o segurança parou de bater num moleque que tava dançando pelado, só pra me cumprimentar e dizer: “moskitinho é meu amigo, gente”. Valeo, Lima!
Eu era o cara mais foda da festa e todos me amavam. Tudo que lembro depois disso é de ter acordado as 16:00h num beco claro da Augusta. No lugar da carteira no bolso apenas um guardanapo amarelo com a escrita “Liv” e um número de telefone.
Resolvi não ligar. Afinal, um rim a mais, um rim a menos, não faz diferença nenhuma, né gente.
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